VOCÊ É FORTE

 Você já parou para pensar o quanto somos forte?

Estou aqui escrevendo esse primeiro posts, por que estava com insônia e pós Covid, meu corpo está exausto por que voltei a trabalhar hoje e pela própria doença, minha cabeça está doendo e não me deixando dormir, então resolvi escrever esse desabafo, pode ser lido ou não por outras pessoas, mas o intui era expressar os sentimentos de uma pessoa que não passou apenas a quarentena se sentindo sozinha, mas boa parte da vida, e apreendeu a apreciar-se e sobreviver através dos obstáculos que é estar vivo.

Estou escrevendo nesse instante com as músicas do Legião Urbana o álbum Mais do Mesmo como trilha sonora, essas música fizeram parte da minha jornada, elas estiveram lá, me ajudando nos momento sombrios, em que a angustia e a ansiedade ultrapassam o limite, e a transforma em medo e tristeza, mas o Renato está lá cantando, "Tudo passa, tudo passará". Como o melhor balsamo, a cada letra dessa música mostra que não estamos sozinhos, todos sofrem, uns são somente melhores em fingir e se fechar em uma fachada que até ele acredita que está, isso me lembra muito a frase de uma música do Frejat " E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero".

Desde jovem, eu sempre tive grande dificuldade de conviver com pessoas, tinha várias crianças com quem eu brincava todos os dias, mas minhas maiores lembranças são aquela que estava com os meus animais e junto a natureza, de algum modo, minha mente sempre foi diferente das outras, independente da fase, de crianças, eu amava subir nas arvores ou no telhado, sempre conversei com todos, sempre fui de escutar as pessoas, quando adolescente, eu tinha meus paquerinhas, mas amava brincar com minhas amigas, de vôlei e outros jogos infantis, nunca fui de beber, sempre fui aquela que cuidava de todos e era a responsável, na fase adulto o mesmo, sempre fui a "direitinha da turma", não por medo, mas porque para mim, beber até cair ou fumar maconha e usar drogas, não me atraia, via o que ela fazia com as pessoas.

Não que nunca fique bêbada, já aconteceu, ao beber muito whisky com o estomago vazio, e estraguei minha diversão, fiquei passando mal no banheiro sozinha, pois não queria atrapalhar os demais. E nesse dia, entendi que eu não repetiria aquilo novamente .

Na fase, entre adolescia pra adulta, sofri muito, por situações que eu não tinha controle. Perda da minha avó, que foi minha segunda mãe, os problemas financeiros vividos pela minha família, e até mesmo, a fase da mudança para outra cidade, que era meu sonho, se tornou um pesadelo. Foi o momento que não desejo para ninguém, pois estávamos realmente sós, não tínhamos dinheiro para comer, pagar o aluguel, energia, água e os remédios da minha mãe, foi uma bola de neve. Essa luta da sobrevivência na selva de pedra que são as cidades, que não existe animais querendo te devorar, mas são os próprios humano que te devoram. Esse período aconteceram muitas estórias que não vem ao caso, coisas bastante desesperadoras, mas sobrevivemos, o que quero que você saiba é isso, sobrevivemos e nos tornamos fortes como pessoa, não menos sensível a realidade, pelo contrario, me tornei uma pessoa muito mais empata.

Vocês sabem o quão difícil é ser empata em uma sociedade que é tão egoísta e mesquinha?! Desde o momento que nascemos, somos ensinados que a palavra "ter" é a mais importante do dicionário da nossa sociedade. Quantas vezes crescemos escutamos essas frases:
"Eu compro tantas coisas para meu filho porque trabalho fora e fico longe dele?" ou para criança crescendo "Você precisa ter o melhor celular da moda", ou  "meu material escolar é da marca tal o seu não?" Ou os comparativos, "Olha como Joãozinho é bem sucedido?" ou " Essa profissão que você escolhe não é boa, você deveria fazer direito ou medicina". 

É engraçado, mas minha mãe nunca me disse uma dessas frases na minha vida, mas a sociedade (in)feliz fazia questão de condicionar isso, na escola, durante o ensino médio eu acho um absurdo o que as escolas fazem conosco. Elas nos condiciona a conhecer e aceitar somente aquelas profissões e aquelas universidades ou você será um nada. "Você precisa estudar na USP, Unesp pelo menos?", uma frase que me marcou foi quando tinha 18 anos, procurando meu primeiro emprego, naquela época eu queria fazer Faculdade de Biologia, e escutei a seguinte frase na entrevista " Você quer fazer biologia? Vai ficar desempregada", isso realmente me marcou naquele momento.

Por isso, digo que somos fortes, vou chamar aqui de "aprisionamento mental". Olha o quanto desse Aprisionamento mental somos expostos desde o momento que nascemos, até mesmo quando estamos na barriga de nossas mães. Com aquele, chás de bebê, para saber o sexo da criança, cada vez mais chamativa ou as comemoração mensal da criança que viraram moda, que não é para família em si comemorar, e sim para quem verá as fotos que serão postadas no Instagram e Facebook.

Então, sinta-se uma pessoa forte por estar vivo hoje, o que nos falta é preencher essa casca que nos tornamos, por causa dessa criação, de ter. Viramos adultos frustrados, que não valorizamos nada e nem ninguém. Olha tudo que perdemos, não apreciamos nada que seja simples e natural, não valorizamos o valor que a união, amor, respeito, representa para nós e me parece que nunca nos foi ensinado isso, alguns se pegam na religião, a bebidas e as drogas, para suprir esse buraco que está lá dentro de nós, por falta de valores. 

Esse buraco, é nossa alma, nosso espirito, que foi exprimido e empurrado dentro de nós para nos encaixar nas formas da sociedade. Uma sociedade que a cada ano demonstra o quão falida e doente é. Então encontre essa força, que está dentro de você, aquela que você achou que tinha perdido, mas não, ela continua ai dentro de você, esperando se libertar.

Se liberte do egoísmo, da ganância tóxica, da aceitação das coisas erradas, se preocupe com o outro, não com a opinião social, mas com condição existencial do outro. Pare de aceitar tudo, apenas por que o mundo não faz o mesmo ou porque não é com você. Tenha senso critico das coisas, e não uma opinião amarga sobre tudo e nada, vamos nos alimentar daquilo que nos completa.
Então não seja apenas forte, seja HUMANO aquilo que ele realmente deveria representar.

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